Uma ode ao papel

Eu não nasci com o digital, sou filha dos anos 80. Pertenço a uma geração que viu a Internet crescer, não nasceu com ela. Atenção, atenção, não pertenço ao grupo: “no meu tempo é que era”. Estas são apenas as minhas circunstâncias, não são melhores nem piores do que as das gerações anteriores, nem das das gerações seguintes.
 
Lembro-me de na nossa sala do 5º ano termos uma “biblioteca”, que mais não era do que um armário repleto de livros. Tínhamos de escolher um livro e fazer uma ficha de leitura sobre ele. E, embora isto pudesse parecer “obrigação”, foi ali que o gosto pela leitura nasceu. Lembro-me das “Mulherzinhas” e da minha tão adorada “Uma Aventura”, colecção que devorei naquele ano e nos seguintes.

Sempre adorei escrever apontamentos em papel, mesmo depois de usar computador. Ainda hoje, mesmo usando ferramentas online de gestão de tarefas, a lista de tarefas em papel, para riscar, acompanha-me sempre, seja no atelier, seja nos dias que passo em trabalho externo.
 
Li há algum tempo este artigo e como ele me fez sentido.
 
O papel sempre fez parte da minha vida. O papel vai sempre fazer parte da minha vida.
 
Papel e a pegada ecológica
 
Se me perguntarem se tenho consciência do impacto ambiental da produção de papel? A resposta é sim! Claro que sim!! E quem me conhece sabe que ao longo dos últimos anos o meu estilo de vida se tem alterado, não só mas também na tentativa de reduzir a minha pegada ecológica. Ainda tenho muito a fazer, mas o caminho faz-se de passos e se cada um de nós mudar alguns comportamentos, por mais pequenos que sejam, talvez haja planeta para deixarmos às próximas gerações.
 
Se vos disser que, no topo das indústrias mais poluentes, não está, nem de perto nem de longe, o papel, ficam surpreendidos?
Está sim:
– o petróleo
– a agropecuária
– e a moda!
 
Sim, a moda, muito devido ao “fast-fashion” que permite adquirir roupa a um preço baixo, que a seguir vai ser deitada fora para comprar mais! A título de curiosidade, deixo-vos uma infografia fantástica que ilustra bem esta realidade e que podem ver aqui.
 
Já pensaram, por exemplo, no impacto ambiental do uso de um telemóvel ou de um computador? Seja na sua produção ou no consumo de energia decorrente do seu uso, o impacto que as tecnologias têm no ambiente é ainda muito elevado.
 
Há muitos suportes em papel que fazem cada vez menos sentido e espero, sinceramente, que haja uma redução no seu uso, mas o papel dos livros, dos objectos capazes de criar e eternizar memórias, vai sempre existir – eu assim espero.

Que papéis são usados nos vossos produtos
 
Consciente deste impacto, quero falar-vos dos materiais que uso para criar os vossos produtos.
 
Os miolos dos nossos livros e cadernos são feitos, desde o primeiro momento, com papel reciclado, não só por ser um papel que permite que o papel “velho” origine “papel novo”, evitando a plantação de árvores especificamente para a produção de papel, mas pelo próprio processo de produção que consome uma quantidade muito mais reduzida de água e energia.
 
Os papéis usados nos álbuns de fotos e “Kits para guardar fotografias mágicas” são todos acid-free de elevada qualidade, não só para protegerem as vossas fotos, mas também pela sua durabilidade. Sabiam que um papel acid-free é feito para durar, pelo menos, 100 anos? Além disso, o impacto ambiental na sua produção é também bastante menor.  
 
Para além destes papéis, é dada preferência a fine papers de excelente qualidade, que garantam que os produtos duram muitos e longos anos.
 
No processo de design e criação de cada produto, há ainda a preocupação de que o desperdício seja o menor possível e escusado será dizer que todo esse desperdício vai para reciclar.

O papel – um legado que dura séculos e atravessa gerações
 
Os nossos produtos são feitos para durar, para atravessar gerações, para eternizar memórias. Para, ao manusear cada um deles, sermos transportados para um outro tempo e um outro lugar. São feitos para guardar!
 
Conhecem suporte físico mais duradouro do que o papel? Eu atrevo-me a dizer que não! Basta olhar para o álbum de fotos dos meus pais, para os livros que guardo da avó Elisa e para as fotos de família. Podemos recuar ainda mais e pensar nos livros centenários que chegaram até ao dia de hoje, em perfeitas condições, e que vão durar ainda muitos mais anos. 

Deixo-vos ainda uma sugestão: sentem-se num lugar sereno, acendam uma vela, preparem um chá, peguem num livro ou num álbum de fotos, sintam o cheiro, a textura do papel, o som das folhas que, uma atrás da outra, vos abrem as portas para aquela história. Haverá algo mais mágico do que isto?

Até à próxima página desta história!

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